Um novo olhar sobre os elétricos

Eles foram um dos maiores avanços do setor automobilístico nos últimos anos. Com a proposta de locomoção baseada na emissão zero, os carros elétricos têm proposta é simples: substituir os combustíveis líquidos por cargas de energia, e, ainda assim, oferecer a mesma qualidade e potência que outros carros. Mas será que, de fato, esta seria uma das soluções para o maior problema ambiental do século XXI?

Ao analisarmos o seu funcionamento realmente não existem pontos negativos, tudo é muito bonito e prático. No entanto, o mesmo não pode ser dito a respeito da sua origem. Basta enxergar as fontes de produção elétrica. Elas tornam nítida a percepção de que o sistema que a cerca causa destruição. Movidas a carvão ou a combustíveis fósseis, as termelétricas ainda são as grandes geradoras de poluentes e, sobretudo, uma das maiores devastadoras do meio ambiente no mundo.

Considerado por especialistas um processo nada sustentável, ele é mantido em diversos países com a incumbência de movimentar quase 80% de sua produção nacional e emanar altas cargas de carbono. Uma das saídas mais viáveis para este fator é o investimento em novos meios de produção sustentáveis, entre estes parques eólicos, solares, maremotriz e hidrelétricos – já existem e são utilizados. Porém, precisam crescer mais. 

O uso de baterias é outro processo questionado. Devido à complexa composição química utilizada por produtores, caso não seja reciclada em seu descarte, estas podem anular todo o avanço feito pelos veículos. Até o momento, nenhuma política pública foi criada para o assunto. Alguns países, entretanto, já discutem medidas para promover o descarte correto do produto.

A matéria prima destas baterias também gera um outro ponto polêmico: a violação humana. Mantidas em países como Bolívia, China e Congo, as coletas de matérias como lítio e cobalto descumprem diversas regularizações que prezam pelo trabalho humano regularizado. Além de acusações de escravidão e uso de mão-de-obra infantil estas geram altos níveis de desmatamento e poluição de solo. Concluindo, os elétricos tornam, de fato, a emissão de carbono inexistente quando em movimento. Porém, seu meio de produção ainda desgasta o meio ambiente como qualquer outro produto. A geração de energia elétrica, além de tudo, pode ser um ponto crítico que fica encoberto quando se tem os holofotes em cima da inovação.