Túneis autônomos ou útopicos?

Há algum tempo atrás, Elon Musk – dono da Tesla – alegou que construiria uma rede de túneis autônomos para compensar o trânsito infernal de Los Angeles, EUA. Muitos duvidaram. Outros falavam que não dava para duvidar do sul-africano. Fato é que agora, ele divulgou o primeiro vídeo do projeto:

Nele, um tipo de skate elétrico flutuaria sobre trilhos magnéticos de maneira autônoma. Seria possível viajar a mais de 200 km/h em segurança. Os carros esperariam sua vez para embarcar nos túneis, chegando aos seus destinos, um por um.

A rede de túneis teria diversas camadas de profundidade. Veículos coletivos também poderiam ser utilizados, sem falar no Hyperloop – um sistema de transporte de alta velocidade (até 1200 km/h) – proposto pelo mesmo Musk, em 2013.

Indo mais adiante, foi criada até uma nova empresa para desenvolver o projeto. A “The Boring Company” é um trocadilho em inglês com os verbos “perfurar” e “entediar”. Já foi construída uma máquina tuneladora de 120 metros de comprimento que pesa mais de 1200 toneladas.

Para começar a fazer túneis fora das suas propriedades, uma autorização do Conselho da Cidade de Los Angeles é necessária. Por isso, o primeiro túnel escavado está posicionado no estacionamento da SpaceX – empresa de transporte espacial que Musk está por trás.

A intenção do empresário pode ser freada em diversos momentos (este é apenas um deles). Para construir os túneis, um controle enorme das plataformas e das rotas seria imprescindível. Tudo para se ter a garantia que o automóvel irá fazer os trajetos esperados.

Existem, além de tudo, questões ambientais e geológicas a serem resolvidas. Los Angeles está localizada na falha de San Andreas – uma das regiões americanas que mais sofreram terremotos. Para se ter uma base, o túnel mais longo do mundo demorou 17 anos para ficar pronto, tendo 57 km de comprimento. O que nos faz imaginar quanto tempo demoraria para desenvolver túneis complexos…

Em Los Angeles, automóveis são os meios de transporte principais. A cidade tem o pior trânsito do mundo. A rede de trilhos urbanos – que passa por trens e metros – tem 169 km de extensão. Isso indica menos que São Paulo, que, em sua rede metropolitana, tem 282,7 km de extensão.