Qual carro será mais barato no futuro: elétrico ou convencional?

Os carros elétricos prometem um futuro mais sustentável e mais econômico. Estão na mídia, nos lançamentos de salões do automóvel e em projetos que visam melhorar o dia a dia de grandes centros urbanos. Mas, por que ainda não são tão populares e acessíveis?

Se dependesse apenas dos custos de rodagem e manutenção, certamente os consumidores trocariam os seus carros a gasolina por modelos elétricos. Além do custo por quilômetro rodado ser bem mais barato (R$ 0,05), a manutenção desses veículos é mais simples e mais esporádica. 

No entanto, quando observamos o custo de compra, o cenário atraente logo muda. Nos EUA, o elétrico mais acessível é o minicarro de dois lugares Smart Fortwo, que custa aproximadamente US$ 24.250. Lá, com esse valor, é possível comprar um Honda Civic top de linha. Já aqui no Brasil, quem ocupa o posto de mais acessível, por enquanto, é o Toyota Prius, que custa por volta de R$ 126.600.

Um dos maiores obstáculos para a diminuição do valor de compra é o próprio preço investido na adesão de tecnologias para a produção desses veículos, que no Brasil ainda é feita em pequena escala. Devido estas ainda serem relativamente novas e raras, seus valores ainda são expressivos, e inclusive inviáveis para o investimento de expansão dessa linha de produção.

Será que de fato o destino dos carros elétricos é a inviabilidade para a maior parte da população? Parece que não. Neste exato momento, fabricantes e universidades de todo o mundo investem milhões de dólares e horas de estudo em pesquisas de novos materiais que custem menos e sejam tão eficientes quanto os usados até agora.

Conheça três iniciativas que já estão em andamento:

 

1-   Cobalto no lugar de platina

Um dos principais focos de pesquisa da Universidade da Califórnia são as células de combustível, que, se comparadas a outras tecnologias de propulsão elétrica, ainda são muito caras. Só para ter uma ideia, nos Estados Unidos, enquanto um modelo elétrico puro como o Tesla Modelo 3 sai por US$ 35.000, um elétrico fuel-cell, como o Toyota Mirai, é vendido por US$ 57.500.  

O grande destaque da pesquisa dos norte-americanos é o desenvolvimento de uma tecnologia que barateia o custo das células. A ideia, basicamente, é substituir a platina usada no catalisador por cobalto. Assim, abririam mão de uma matéria cara por outra que custa cerca de 100 vezes menos.

Além de cara e rara, a platina possui outro problema. Ela perde suas propriedades com o passar do tempo. O cobalto, mais uma vez, surgiria para corrigir isso, já que é abundante e degrada mais lentamente.

É importante ressaltar que a Universidade da Califórnia não está sozinha na busca de alternativas à platina, mas é a que está mais perto de viabilizar o dispositivo comercialmente.

 

2-   Substituição do grafeno pelo lítio

Essa é mais uma pesquisa importante para a massificação dos veículos elétricos. De acordo com pesquisadores da Universidade de Córdoba em associação com empresas espanholas, o lítio usado nas baterias é um grande empecilho para a eletrificação automotiva, já que este estaria no limite do seu rendimento nas baterias.

A partir dessa análise foram testados outros materiais, até chegar ao grafeno, uma das formas cristalinas do carbono. Segundo eles, as baterias de grafeno podem ter maior densidade energética, menor tempo de recarga, vida útil mais longa e o melhor, preço mais acessível.

Em números, a mudança prevê densidade em torno de 600 Wh/kg contra de 140 a 160 Wh/kg das baterias de lítio. Isso permitiria o carro rodar até 1.000 km com uma única carga. De acordo com pesquisadores, já existem duas fábricas de automóveis alemãs interessadas na implantação dessas baterias em seus carros.

 

3-   Metais não tão caros

O neodímio é um dos materiais mais utilizados na fabricação de ímãs para motores elétricos. Mas, como outros materiais de terras raras, ele se encontra em minérios de pequenas quantidades, o que demanda o tratamento de um grande volume para a uma retirada pequena.

Para solucionar esse problema, a Toyota, junto a uma equipe especializada, está desenvolvendo uma material que possa dispensar parcialmente o neodímio, utilizando apenas uma fração (cerca de 50%) da quantidade aplicada nos ímãs até agora.