O status da indústria de alta tecnologia brasileira

INDÚSTRIA DE ALTA TECNOLOGIA

Antes de darmos início à esta matéria, é necessário esclarecer algo. Afinal, o que é indústria de alta tecnologia? Vamos lá. Em primeiro lugar, seu foco se atém à criação de produtos de ponta, ou seja, ao trabalho com as principais inovações tecnológicas do mercado.

Mais adiante, visualizamos seu cenário global. A tendência mundial é que este tipo de manufatura cresça e que tenha uma maior participação no Produto Interno Bruto (PIB) dos países. Entretanto, o Brasil se apresenta na contramão do movimento citado.

HISTÓRICO E REFLEXOS

Desde 2009, o território nacional registra índices de queda nesse segmento industrial. No ano passado, o Brasil registrou 11,3% de recuo no setor – um índice tão baixo que equivale ao dado do ano de 1950. O encolhimento chegou a 2,2 pontos.

Em contrapartida, no mesmo ano, a indústria de baixa tecnologia registrou um avanço mais alto que o do PIB. As áreas de média tecnologia já percorreram um caminho mais turbulento e registraram um recuo de 1,1 pontos. A razão disso é o processo de desindustrialização precoce do país. Um fenômeno que faz com que a área da alta tecnologia não consiga progredir.

O Brasil, diferentemente dos outros países do mundo, demorou para investir nesse setor. A visibilidade da tecnologia de ponta cresceu apenas nos anos 90 – com a reabertura do mercado – em contraste com resto do mundo, que dedicou os recursos para a indústria de alta tecnologia nos anos 70 e 80.

Outro fator que deixou o nosso país para trás foi a indústria de base. No começo dos anos 2000, o mundo apresentou uma alta demanda de commodities, o que fez o Brasil investir e se especializar ainda mais na agropecuária. Quando se foca muito em algo, naturalmente se deixa outra coisa de lado.

Por fim, a crise econômica contribuiu para esse recuo industrial, que não afetou só a alta tecnologia. Para garantir um novo crescimento na área, é necessário que os planos econômicos que estão sendo discutidos deem certo, que haja incentivos fiscais e uma maior concorrência no setor.

PROJEÇÕES FUTURAS

Para que a indústria volte a crescer, é necessário um investimento na área de 20% a 25% do PIB. Com tamanha aplicação, o desenvolvimento econômico será de 3,5% ao ano. Porém, não é isso que vem acontecendo. A produção industrial recuou em quase todos os meses de 2019 – fevereiro ficou estável e em maio não houve recuo. Apesar disso, a expectativa é que o PIB brasileiro permaneça com resultados positivos pelo terceiro ano consecutivo – um crescimento lento que acontece desde 2015.