O segredo do empreendedorismo

No decorrer dos últimos anos, mais e mais pessoas têm exclamado sua dificuldade em ingressar no mercado de trabalho. A acessibilidade de diferentes públicos a universidades e academias transforma, gradativamente, o mercado em um verdadeiro campo de guerra. Jovens de diferentes áreas dedicam o seu tempo na tentativa de apresentar um diferencial, batalhando com suas prioridades. Tudo isso a fim de alcançar um lugar ao sol.

Em uma conversa com o psicólogo e responsável pela incubadora de empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie – Nelson Destro Fragoso –  foi possível entender que um dos ítens que mais prejudica os jovens é o despreparo. “Eu acho que a maior dificuldade que eles têm está ligada a vontade de querer resolver as coisas em curto prazo. O anseio por serem reconhecidos e pelas pessoas reconhecerem o seu potencial faz com que não dêem tempo para que as coisas aconteçam. No geral eles não se preparam adequadamente” – explica o especialista.

Uma saída para muitos deles é a abertura de um próprio negócio. De acordo com uma pesquisa feita pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor), um quarto dos jovens brasileiros se enxerga como empreendedor, porém, na maior parte dos casos, a inexperiência com gestão leva parte desse grupo ao fracasso. “O grande problema do novo negócio é que, além de uma ideia forte, ele exige muita força de vontade. Geralmente, o segredo do empreendedorismo é a experiência, e não a faixa etária. Características pessoais como: perseverança, resiliência e foco são muito mais importantes que a faixa etária”, exemplifica Nelson.

Apesar dos obstáculos envolvendo a idade e a inexperiência, diversos casos comprovam que é possível alcançar o sucesso, mesmo na faixa dos 20. O Portal Roles Conectar conversou com o empresário Pedro Fabrini e descobriu como driblar as crises que cercam um jovem empresário. Administrando atualmente diversas empresas, Fabrini exala a experiência de alguém que iniciou sua carreira aos 14 anos.   

C: Como você se tornou empresário?

PF: Eu comecei cedo, comecei a trabalhar com 14 anos. Apesar do início precoce, quase sempre trabalhei por conta própria. Foram poucas as vezes que fui empregado, e mesmo quando trabalhava para os outros, sempre mantinha comigo um negócio em paralelo.

C: Quais as áreas que você já atuou?

PF: Já atuei em diversas áreas. Em 1998 assumi o meu primeiro grande negócio onde me tornei sócio da Multicom, uma empresa especializada em pesquisas. Em 2002 assumi a ZP6, uma agência de Propaganda e Marketing, e logo três anos depois assumi em paralelo o Jornal Pioneiro Notícias. Em 2007 me tornei diretor geral do Canal Vivax 21/ Bragança Paulista e até hoje mantenho a Pousada Catamarã, localizada em Arraial D’ajuda. Fora as empresas, hoje trabalho como ator e autor de peças para teatro e televisão, além de administrar a expansão de mercado de uma das principais indústrias de cosmético e bem estar do Brasil por meio de microfranquias.

C: De acordo com a sua experiência, quais foram as maiores dificuldades em administrar o seu próprio negócio?

PF: Acho que a maior dificuldade em si está dentro de nós mesmos. Nunca tive condições ideais para construir o meu próprio negócio, mas mesmo assim acreditei, corri atrás e fiz! Quando se propuser a fazer algo se entregue por completo. O empreendedor não pode se dar o luxo de falhar, ele precisa se jogar por inteiro para alcançar os resultados certos.

C: Quais os maiores benefícios/malefícios em ter o próprio negócio?

PF: O benefício é que poderá impor o seu próprio limite, enquanto o malefício é assumir o inevitável trabalho árduo. Arcar a responsabilidade de ser um empreendedor é entender que o trabalho será bem maior do que em qualquer outro cargo. Quem entra em um negócio próprio pensando em trabalhar menos se engana profundamente.

C: Qual seria o caminho ideal para um jovem abrir o próprio negócio? Quais conselhos você daria pra ele?

PF: Acredito que o primeiro passo é observar o mercado. Informação é tudo! Então olhe o cenário que quer atuar, busque informações e se intere sobre o tema.

Quando decidi investir no ramo hoteleiro meus planos não envolviam ir para Arraial D’ajuda. Porém, quando busquei informações com pessoas confiáveis no meio, os planos simplesmente mudaram. Com a ajuda do meu amigo Sérgio Pereira – um dos grandes empresários do ramo hoteleiro no Brasil – consegui clarear minhas ideias e efetivar o meu negócio. Talvez se eu simplesmente entrasse de olhos fechados o meu resultado poderia ser completamente outro hoje em dia.

Seja realista e não olhe com paixão! Seja o seu próprio “advogado do diabo”, avaliando sempre as variantes que podem dar errado.

C: Como você avalia o atual interesse dos jovens por empreendedorismo? Acha que ele aumentou nos últimos anos?

PF: O brasileiro por si só já é um empreendedor. Ele está sempre experimentando novas estratégias e formatos para alcançar os seus objetivos. Ao meu ver essa visão que muitos têm do empreendedorismo os leva a crer que essa pode ser a saída para a liberdade.

Os jovens tendem a se arriscar mais ao pensarem “fora da caixa”. Esse público geralmente se mantém mais aberto a novas tecnologias, a diferentes formas de negócio e a novos horizontes. Essa vontade de deixar uma marca, de transformar a realidade os concede um poder muito grande para dominar o mercado, que, por sua vez, está sedento por novas formas de negócio, por novas ideias e por novas formas de enxergar o mundo.

C: Quais os segmentos mais procurados por quem quer abrir um negócio?

PF: Atualmente não tenho uma noção clara de quais segmentos são os mais procurados por investidores, porém posso afirmar que tanto as franquias como os negócios voltados a área de beleza e bem estar se mantém em alta mesmo em meio à crise. Perceba, eu não me dedico a apenas um segmento. Sempre procuro enxergar oportunidades, e no atual momento vejo as maiores possibilidades em ambos os setores.

C: Como você vê a relação do empreendedorismo com a burocracia?

PF: Eu creio que, na maior parte dos casos, a burocracia é sim um obstáculo para o empreendedor, mas por outro lado é algo infelizmente que temos que lidar. Eu exemplificaria como aquela dor nas costas que te incomoda todas as manhãs.  Ela te incomoda? Sim! Mas não é por conta dela que vai passar o resto da vida na cama.

Certamente com um menor nível de burocracia teríamos muito mais empreendedores.

C: Em termos financeiros, existe um valor inicial para começar seu próprio negócio ou isso varia?

PF: Não acho que o financeiro é o determinante. Eu diria que o valor inicial tem que ser a paixão e o comprometimento. Se formos observar o Silvio Santos por exemplo, ele começou sua carreira vendendo carteirinha de título de eleitor. Qual foi o investimento inicial dele? Praticamente nenhum. Qual o tamanho do império dele hoje? Enorme.

Certamente o comprometimento, a dedicação e o trabalho duro valeram muito mais que qualquer investimento financeiro neste caso.