O futuro do empreendedorismo está nas mãos das mulheres

TRAÇO HISTÓRICO

Durante anos, eles foram os “cabeças” da família e provedores de sustento. Elas, por sua vez, foram incumbidas de cuidar da casa. Trabalharam tanto quanto eles para ganharem até 25% menos. Ainda que assustadora, essa realidade felizmente está mudando. O motivo: dessa vez, são elas que estão criando os novos negócios.

FATOS COMPROVADOS

A informação chegou pela pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2016. Uma coordenada no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ). De acordo com os dados apurados, as mulheres representam atualmente 51,5% dos empresários iniciais do país. Um aumento de 34% entre os anos 2000 e 2014.

A novidade é entendida como uma resposta a adversidades. Devido a não-valorização do trabalho de um dos gêneros, o empreendedorismo se tornou uma válvula de escape para as mulheres que almejam alcançar seus direitos. No olhar do professor Marcelo Minutti, especialista em empreendedorismo e inovação da Faculdade de Economia e Finanças Ibmec, essa é a explicação para a mudança recente. “A gente percebe, nos últimos anos, uma tendência forte para a mulher empreender. Mas isso estava represado. Como esse empoderamento tem ganhado força apenas nos últimos anos, isso reflete, porque os negócios são mais novos”.

E TEM MAIS

Dentre as empreendedoras constatadas, 79% delas possui ensino superior. 41% têm menos de 39 anos. As condições também vão de encontro a um ponto importante. 37% das empresas comandadas por mulheres está na fase inicial, com menos de cinco anos, correndo inclusive o risco de não amadurecer. Isso porque, ainda que sejam donas do próprio empreendimento, precisam vencer obstáculos significativos. Dentre eles, o preconceito de gênero e até a dificuldade de financiamento.

Um estudo do Banson College, nos Estados Unidos, revelou que, se as mulheres começassem com o mesmo capital que os homens, poderiam somar 6 milhões de empregos à economia norte-americana em cinco anos. Além disso, dois milhões deles seriam só no primeiro ano. Além da perspectiva, vale a pena ressaltar o estímulo que o patamar de igualdade ofereceria para outras mulheres que também anseiam investir em suas ideias. Afinal, quando uma mulher consegue estabelecer o seu negócio, ela se torna naturalmente um modelo para outras.

PREVISÕES DE UMA ESPECIALISTA

Apesar de que os estudos indicam mudanças, é importante ouvir quem entende. Analista de negócios do Sebrae SP e gestora do programa Mulheres Empreendedoras da Zona Sul, Camila Ribeiro acredita que além desses obstáculos, a mulher ainda pode vir a enfrentar eventualidades impostas em sua própria rotina. “Muitas delas têm que conciliar casa, família, maternidade e empresa. Além disso, há o desafio com ela mesma. É comum encontrar algumas mulheres que não se acham capazes de abrir o seu próprio negócio”.

Por mais que hajam tantas adversidades, Camila vê cada vez mais mulheres driblando dificuldades com maestria para empreender e desenvolver a sua empresa. “Sabemos que ainda há um caminho longo a percorrer em busca da equidade de gêneros e do respeito às mulheres e às suas atividades. No entanto, é importante lembrar que estamos ganhando mais lutas do que perdendo”.