No tanque dos tubarões

Dizer que a crise gera momentos de oportunidade pode ser clichê, mas não deixa de ser verdade. Nestes momentos, a famosa criatividade do brasileiro é a chave para encontrar saídas de sucesso. Ainda assim, isso não é o suficiente para desenvolver um modelo de negócio sustentável. De acordo com o Sebrae, 25% das empresas não sobrevivem aos dois primeiros anos de negócios. Para ultrapassar essa barreira, é preciso planejamento, inovação e, claro, dinheiro.

Holofote para ideias novas 

Criado no Japão e adaptado para televisão britânica e norte-americana, o programa Shark Tank já está em sua segunda edição na televisão brasileira. Basicamente, pequenos e médios empreendedores usam todo o poder argumentativo possível para convencer os “sharks” a comprarem suas ideias.

A primeira temporada, que está sendo reprisada na Band, contou com a presença de jurados bem-sucedidos. João Appolinário, por exemplo, é fundador da Polishop, empresa de varejo inaugurada em 1999 e presente, além do Brasil, em países como Argentina, Chile, Peru e Espanha. Já Robinson Shiba é o dono da rede de comida China in Box, criada em 1992 na cidade de São Paulo. Hoje, a rede, que foi a primeira no país a oferecer o serviço de delivery, conta com 145 unidades espalhadas pelo território nacional. Representando o ramo da moda, a empresária Cris Arcangeli atua no setor desde 1986. Com 26 prêmios nacionais e internacionais, Cris é considerada uma das mulheres que mais contribuiu para o desenvolvimento da área no país, organizando os primeiros grandes eventos de moda no Brasil. E, já que o programa visa principalmente os pequenos e médios empresários, era necessário uma especialista no assunto. Camila Farani é um dos principais nomes do investimento-anjo brasileiro. O segmento procura investir nas empresas nascentes de tecnologia, como startups de e-commerce. Por último, completando a bancada da primeira temporada, o cantor Sorocaba, responsável por administrar carreiras de diversos artistas – principalmente sertanejos. 

Cases de sucesso

Entre os negócios que chamaram atenção dos sharks é possível destacar a Velo Clothing, alfaiataria moderna que combina a leveza das roupas para esportes com os cortes e desenhos de modelos fashion, a Mana Manutenção, serviço de pequenos reparos e reformas feito por mulheres para mulheres, o Super Cooler, um gadget capaz de resfriar latas e garrafas em até dois minutos, e o Futuriste, curso para pilotar drones com simuladores de última geração.

Nos Estados Unidos, onde o programa já está na oitava temporada, é possível encontrar negócios que estão mais consolidados no setor. A Lollaland recebeu um investimento de US$ 100 mil para fabricar copos plásticos para bebês. A diferença é que esse plástico dispensa produtos que muitas vezes são nocivos à saúde dos pequenos. Desde que apareceu no programa, a empresa já faturou mais de US$ 1 milhão. Já a BuggyBeds impressionou os cinco jurados da edição norte-americana por detectar e prevenir percevejos em móveis, camas e sofás. Depois de um investimento de US$ 125 mil do programa, a empresa já ultrapassou o primeiro milhão de dólares e expandiu o negócio para vinte e três países.

Mais do que provar que pequenos e médios empreendedores podem ter sucesso, o reality mostra como é viável investir em dezenas de setores. Com imaginação e trabalho é possível encontrar espaços nos mais variados mercados. A segunda temporada vai começar e, mesmo com as inscrições fechadas, vale ficar de olho para aprender e se inspirar. O empresário Caito Maia, criador da Chilli Beans, maior empresa de óculos de sol da América Latina, estará entre os investidores, substituindo a posição do cantor e empresário Sorocaba.

Dicas úteis

Para encerrar, vale conferir algumas dicas especiais dos sharks. Para Cris Arcangeli e Robinson Shiba, é importante ter uma linha de raciocínio clara e conseguir transmitir com facilidade a ideia, o conceito, e o diferencial do modelo de negócio. Já segundo Camila Farani, empreender por empreender não leva a nada. É preciso ter paixão pela forma como um empreendedor se comporta e se comunica. Por último, João Appolinário acredita na ideia simples.

“Um negócio que realmente faça sentido e que tenha condição de sobreviver ou de crescer desde o primeiro momento”, conclui  o empresário.