Os negócios familiares mais importantes do setor automotivo

Negócios Familiares

A construção de negócios familiares pode parecer algo fácil. Primeiramente, a aparente simplicidade em resolver questões burocráticas, a flexibilidade na gestão diária, e até mesmo a possibilidade de manter um nome por gerações são alguns dos benefícios que atraíram olhares de empreendedores por décadas. Apesar disso, poucos conseguiram levar seus projetos adiante. Seja por falta de suporte financeiro,  ou por conflitos pessoais. Além disso, até mesmo a falta de interesse das futuras gerações em agarrar o negócio, pode comprometer os planos.

De acordo com números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), mais de 90% das empresas constituídas no país são familiares. No entanto, a cada 100 negócios desse tipo, apenas 30 sobrevivem à primeira sucessão e cinco chegam à terceira geração. A porcentagem, ainda que assustadora, revela algo inevitável: manter vivo por anos o nome de uma família é algo que poucos são capazes de fazer.

Com tal compreensão, descubra as famílias que alcançaram esse feito e se tornaram grandes impérios automotivos.

Ford

Criada em 1903 por Henry Ford, a empresa foi responsável por introduzir a primeira linha de montagem de automóveis da história. A partir disso, Henry conseguiu enriquecer ao diminuir o tempo de produção de 12 horas para apenas uma.

Ford teve apenas um filho, Edsel, que foi presidente da empresa até sua morte, em 1943. Edsel foi sucedido por seu filho mais velho, Henry Ford II. Este, por sua vez, ficou no comando da Ford até 1960, quando foi substituído por Phillip Caldwell, primeiro presidente que não fazia parte da família.

Ainda assim, os Ford não deixaram de atuar no grupo. William Clay Ford, filho mais novo de Edsel, também assumiu várias posições na companhia. Ele foi o último dos netos de Henry Ford a falecer, em 2014.

Um dos seus filhos, William Clay Ford Jr, ainda faz parte do conselho da empresa. Ele chegou a presidi-la até 1999.

Firestone

Se os Ford conseguiram construir um império apenas com os seus parentes de sangue, imagine se eles firmassem laços com outros negócios familiares? Pois foi isso o que aconteceu. Em 1947, William Clay Ford se casou com Martha Parke Firestone, neta de Harvey e Idabelle Firestone, fundadores da fabricante de pneus.

Inevitavelmente, a relação das duas empresas ultrapassou o âmbito familiar. Desse maneira, a Firestone começou a fornecer pneus para toda a linha de montagem da Ford. A parceria se manteve por mais de 90 anos, findando apenas nos anos 2000. Após um escândalo envolvendo o recall dos pneus defeituosos que equipavam o Ford Explorer, vários acidentes graves ocorreram.

A família Agnelli

Esse é um dos clãs mais ricos e influentes da Itália. Composto por empresários, bon vivants, políticos e até príncipes e princesas. Ele se estabeleceu graças a criação da Fabbrica Italiana Automobili Torino, em 1899. Ou, como popularmente conhecemos, Fiat. Um dos seus principais investidores era Giovanni Agnelli, patriarca da família.

O legado de Giovanni foi continuado por um de seus filhos, Edoardo Agnelli II, que também se consolidou como um dos principais acionistas da fábrica. Apesar do sucesso, foi pelas mãos de Gianni Agnelli, seu filho mais novo, que a Fiat cresceu e se expandiu pelo mundo. Ele assumiu a presidência do empreendimento em 1966 e o revolucionou. Abriu fábricas por todo o mundo e modernizou seus processos produtivos.

Em 1953, Gianni se casou com a princesa Marella Caracciolo e teve dois filhos. Edoardo Agnelli III e Margherita Agnelli. Edoardo não se envolveu nos negócios da família. Por outro lado, os filhos de Margherita, John e Lapo Elkann, não abriram mão.

Lapo acabou por atuar nas áreas de marketing da empresa, já John foi o escolhido para ocupar a cadeira de seu avô Gianni. Ele está à frente da FCA e controla todas as atividades da companhia junto ao atual CEO, Michael Manley.