Mobilidade urbana: descubra 7 notáveis estratégias organizacionais pelo mundo

DICIONÁRIO

Muito se fala em mobilidade urbana. Muito se debate, muito se questiona. Mas pouco se esclarece. E, mais do que isso: poucas opções palpáveis são levantadas. Projetos de execuções simples e diretas.

Lembra do aero trem? É claro que você lembra. Por mais que ele tenha virado uma caricatura, um meme, ele marcou a mente do brasileiro. Ok, muito se deve ao fato de ser um projeto engraçado, que parecia muito distante. E claramente o candidato Levi Fidélix, na época responsável pela dádiva, se apoiava apenas nessa alternativa para levantar uma campanha presidencial. Isso, inegavelmente, torna tudo mais hilário.

MUDANÇA, POR QUE NÃO?

Mas vamos ser práticos: se o motivo de nossa diversão saísse do papel, a mobilidade urbana teria impacto notável. No Brasil, um país em que o trânsito gera caos e acaba com a organização urbana em questão de minutos, pouco se pensa em soluções, e talvez, veja bem: talvez, essa poderia ter sido uma.

Se nos perguntarmos o que podemos fazer, existem aqueles que dirão: nada, pois a má gestão impacta diretamente a busca por soluções em escala nacional. Entretanto, se formos em busca de exemplos mundo afora, acabaremos cansados. Existem inúmeras provas de que projetos bem estruturados e pensados podem dar certo. Vamos viajar um pouco:

• ALEMANHA – BERLIM

O nosso primeiro destino é a Alemanha. Vamos tentar deixar um pouco de lado o 7×1 e passar a visualizar este país como exemplo. O que molda a excelência do transporte em sua capital Berlim, é simples, e deve se repetir em algumas cidades que devem ser analisadas nos próximos tópicos. Seu nome é: diversidade de modais. Na prática, diversidade de modais é uma amplitude de meios de transporte.

Mas não adianta nada desenvolver uma rede sem que ela esteja conectada e que funcione em harmonia plena. Por isso, os alemães, sabendo da principal condição do sucesso aqui, elaboraram um sistema com facilidade de acesso, e pensado em conjunto.

Em Berlim, além disso, há um planejamento especial de vias para bikes e pedestres. 1000 quilômetros de ciclovias, sendo que 50% disso foi elaborado nos últimos anos, com ação eficaz do governo. 13% do total de rotas na cidade são feitas por bicicletas.

No que diz respeito à emissão de gases, por outro lado, há um sinal de desenvolvimento, também. A Alemanha é um dos países com mais carros elétricos no mundo. Em qual momento isto influencia na questão da mobilidade? Quanto menos poluição, mais incentivo para pessoas andarem de bicicleta, em volta dos carros.

• SUÍÇA – ZURIQUE

Dá para imaginar um lugar em que a população nem pensa muito em comprar carros pois o sistema de transporte público é extremamente eficiente? Para nós, é uma realidade bem distante. Soa até absurdo. Mas em Zurique, este é o cenário. A indústria automotiva foca em outros apelos, provavelmente.

A cidade pode ser conhecida sem que você utilize um meio de transporte se quer. Você vai caminhar, mas vai andar com um sorriso no rosto. Tudo funciona. A cada 300m, caso você canse, há um ponto de ônibus com veículos que chegam a cada 5 minutos.

Um aspecto que torna Zurique muito interessante é seu passe diário. Um bilhete que te dá direito de percorrer áreas completas da cidade por meio de transporte público. Para isso, é necessário apenas o pagamento de uma pequena taxa.

O próximo passo, já no radar do governo, é o aprimoramento de ciclovias e a busca por uma grande quantidade de ônibus elétricos, para redução das emissões.

• REINO UNIDO – LONDRES

É muito interessante falar a respeito de Londres. Por três motivos. O primeiro é o fato de que a cidade teve o primeiro túnel submarino do mundo. Em segundo lugar, o primeiro aeroporto internacional do mundo teve a cidade como palco. Por último, temos a primeira rede ferroviária subterrânea já vista no mundo. Pois é, Londres não está tão mal assim no quesito mobilidade urbana e investimento em estrutura.

Hoje em dia, a integração do metrô com a rede de trem, de ônibus, de bike e de táxi faz do sistema de transporte um sucesso. Tudo está conectado, então tudo flui. A rede de metrô de Londres tem impressionantes 400 quilômetros de extensão. Mais adiante, um dado impactante diz que passam por ali mais de 1,1 bilhão de pessoas por ano.

Por fim, falamos do Oyster Card, que deixa tudo mais prático. Você pode usar múltiplos transportes com apenas um cartão. Ah, e o governo tem uma gama de bikes elétricas que estão disponíveis para aluguel em pontos mais do que estratégicos. E aí? Já comprou sua passagem?

• HOLANDA – AMSTERDÃ

Os principais cartões postais da cidade já entregam uma de suas principais características urbanas. A quantidade de bicicletas é impressionante. Mas vamos entender o por quê disso. Quando seu plano de mobilidade urbana foi desenvolvido, em primeiro lugar, foram considerados os pedestres e as bikes, ou seja, a locomoção por bicicletas. Portanto, este fator não se encaixou no contexto, e sim, o criou.

Em Amsterdã, 58% das pessoas usam este meio de transporte todos os dias. Além disso, estatisticamente, temos mais de uma bike por habitante. O transporte público é eficiente, e rico em opções. Ele passa por trem, metrô, bondes elétricos, ônibus, barcos, centrais de taxis, comboios e ferrovias que geram tráfego externo e interno.

• REINO UNIDO – CAMBRIDGE

Os ingleses não deixaram suas soluções em Londres. Cambridge conta com algo diferente. O chamado BHLS – a sigla significa Bus With High Level of Service. É basicamente uma rede de transporte de alta eficiência. São ônibus mais velozes e mais seguros.

Ele trafega em velocidades de segurança, pois é controlado por estruturas que limitam a rapidez. Ciclistas podem circular em volta enquanto eles fazem suas jornadas. Nas principais estações dos BHLS, existem espaços para bikes serem guardadas em segurança, tornando a locomoção única e direcional. Em horários de picos, para deixar tudo equilibrado, se tem unidades de 5 em 5 minutos.

•HONG KONG

Nem todos sabem, mas se trata do principal ponto turístico asiático. Por dia, são realizadas 12,6 milhões de viagens feitas por transportes públicos. Existe um sistema por trás disso, obviamente. Ele carrega o nome de MTK. Ok, mas e o significado? Mars Transit Railway.

Uma linha de trem super rápida. São 5 milhões de viagens diárias só por meio dela. A extensão não deixa a desejar: são 218,2 km, e, para finalizar, 159 estações disponíveis/funcionando. Um detalhe importante para quem mora em São Paulo sonhar: em 99% dos casos, não há atraso.

• DINAMARCA – COPENHAGEN

A boa mobilidade começa por um simples passo em Copenhagen: a valorização da qualidade de vida. Isto, atrelado com o valor que se dá à bike, cria um cenário agradável para se viver (e fazer esporte, simultaneamente).

50% da população usa bicicleta diariamente. Além disso, um dado interessante e curioso: 63% do parlamento também se locomove diariamente por meio de bikes. Já imaginou nossos políticos indo para o parlamento em suas máquinas de duas rodas? Suando o paletó. No mínimo hilário. Se eles investissem corretamente, conseguiriam perder barriga, pelo menos.

Por fim, trazemos aqui uma alternativa disruptiva que nasce na Dinamarca. O sinal inteligente. Se temos um grupo de bicicleta chegando em um sinal que está prestes a fechar, o sistema, inteligentemente, prolonga a abertura desse farol. Com isso, a galera passa em segurança. Genial, não?

• PARA PENSARMOS

Em quantos momentos durante esta matéria você leu atividades que julgou brilhantes? Pouquíssimas né? Não podemos considerar as atitudes levantadas pelo mundo frutos de ideias extremamente inovadoras.

O sucesso de um sistema de transporte depende sim da população – da quantidade de pessoas que se tem em determinado lugar. Mas um projeto simples eficaz de organização aliado a um investimento justo pode gerar frutos com os quais nunca tivemos contato.