Entenda porque todas as empresas deveriam agir como uma startup

NÃO É O LAZER

Para entender essa razão, é importante esclarecer, em primeiro lugar, o que é de fato agir como uma startup. Esqueça os puffs. Esqueça o pobelim. Ignore o ping-pong também. A nossa questão aqui não tem muito a ver com lazer, e muito menos com comida de graça.

Se você for conversar com investidores e CEOs inseridos no mundo digital, a expressão ‘agir como uma startup’ pode tranquilamente surgir entre um tema e outro. Mas, a intenção desse uso é exaltar uma posição mais flexível, mais experimental.

Uma startup age com base na novidade. Na experiência. E na validação (ou não) de uma hipótese. Sua dinâmica permite muitas vezes um aprendizado rápido. Isso quer dizer que a equipe costuma descobrir com agilidade se a ideia vai vingar ou não. Os lucros e resultados já são logo visualizados, ou claramente descartados.

ROMPER OS LAÇOS É BOM

Para um dono de empresa que mantém um dinâmica convencional, a dica é desvincular. Mas desvincular o que? Se surge uma boa ideia, que deve ser explorada no meio digital com agilidade, esta deve impulsionar a criação de uma nova companhia. Mas porque a mesma empresa não faz apenas uma diversificação de produto? Cria uma nova atuação?

Primeiramente, há a questão da cultura empresarial. Uma vez já consolidada pode gerar conflitos com a nova ideia. Além disso, existem processos já estabelecidos. Estes costumam ser mais lentos do que se pretende com um novo projeto da natureza do que embasamos aqui.

O erro dos CEOs está na tomada de atitudes que mantém o vínculo com um negócio antigo. Novas estratégias, novos produtos, fusões e expansões de mercado são exemplos de novas tomadas estratégicas. Estas podem até moldar novas propostas. Mas não mudam o modo de operar, o que muitas vezes pode prejudicar o novo andamento.

NA PRÁTICA

Nesse cenário, a melhor opção é criar uma nova empresa. Vamos pegar o exemplo da GM. A companhia queria se inserir na busca por modelos autônomos. Existiam duas alternativas. Abrir caminho na própria GM para criar um novo produto hiper tecnológico ou desenvolver um novo negócio, independente e focado nesse objetivo de mercado.

A opção escolhida foi a segunda. Assim nasceu a Cruise Automation, que se moldou em novas metas, novo funcionamento e nova cultura para chegar a novos produtos. Perceba que, nesse caso, o conflito é zero e o objetivo pode ser abordado com mais liberdade.

PERFIL EM ALTA

Hoje em dia, os investimentos necessários para abrir uma startup são 10 vezes menores do que há 10 anos atrás. Isso permite mais experimentação. E mais ousadia. Com isso, mais ideias surgem e mais sucesso inevitavelmente é alcançado.

As missões e resultados movem as equipes das startups. Por isso, os funcionários tendem a fazer mais do que o esperado. E o esforço tende a ser maior. As áreas, além de tudo, tendem a se ajudar. Não tem muito aquela coisa: ‘não toco no que não sou pago para fazer’.

A diferença básica entre as startups e as empresas de organização convencional, é a velocidade na entrega. Enquanto o primeiro grupo costuma entregar tarefas em horas e dias, o segundo grupo pode demorar semanas. A consequência da agilidade adicionada a um fator ‘a longo prazo’ gera uma resposta mais rápida. Isso quer dizer que, cada vez mais rápido você descobre se vai fazer sucesso ou não.

Outro fator importante que distancia esses dois grupos, é o erro. Em uma organização comum, os erros não são tão bem aceitos. Geralmente, investimentos que acompanham certo projeto ou mudança são maiores. Com isso, as falhas não são esperadas. Acima de tudo, os acionistas não podem cortar os pescoços dos CEOs.

Por fim, citamos aqui um brilho que as startups têm. A paixão pelo problema e não pela solução. A intenção delas, é, certamente, ajudar as pessoas ou resolver algum problema palpável na vida delas. Se a solução número 1 não resolve, não se desiste. E isso que as destaca. Vão ser buscadas novas soluções. Até que o caminho mais assertivo seja encaminhado.