Empreender no Exterior

Com a turbulência política e a instabilidade econômica no Brasil, os empreendedores estão querendo investir além das fronteiras do território brasileiro, desejando alcançar sucesso em solo estrangeiro. Para isso, muitos buscam emplacar startups em regiões onde existem mais condições favoráveis para prosperar, com suporte governamental, situação financeira próspera e credibilidade do mercado para conseguir atingir o objetivo do empreendimento rentável.

Ainda assim, empreender fora do Brasil não é fácil. Quem deseja se aventurar em outras terras terá que enfrentar diversos obstáculos. Um deles será a burocracia existente em muitos países, principalmente na Europa, onde são exigidos inúmeros documentos para conseguir um visto de permanência ou residência. Outro problema será em relação ao lucro, que é pequeno em relação ao padrão ideal brasileiro de 30 a 100%, mas com a vantagem de não ter grandes variações, nem em relação ao gasto salarial e aos custos do empreendimento.

Caso o empreendedor resolva mesmo apostar em investir fora do Brasil, existem setores em alta para começar o negócio. Por exemplo, nos Estados Unidos as startups mais “seguras” para se abrir estão relacionadas a serviços para idosos, transporte local de cargas, trabalhos de tradução e também a venda atacadista de tintas. A pesquisa da demanda no país onde irá iniciar sua empreitada é de crucial importância, além de procurar a informação de se as leis da nação onde a empresa irá se estabelecer poderão ajudar na prosperidade do investimento.

Se no mundo existe um lugar propício para essa categoria de negócio é Israel. O país localizado no Oriente Médio é conhecido como a “nação das startups”. Mesmo com aproximadamente nove milhões de habitantes, o país banhado pelos mares Mediterrâneo e Morto é berço de gigantes como Waze, Viber e Wix, além de ser lar de muitos outros “ícones” desse tipo de empreitada, totalizando cerca de seis mil empreendimentos do gênero. O grande número tem diversos fatores: políticas públicas (o governo injetou US$ 100 milhões em startups nos anos 90), a imigração russa após o fim da União Soviética e mais de uma oportunidade, já que os empreendedores que não emplacaram um negócio acabam sendo estimulados a continuar investindo em outras experiências.

Mas não precisamos ir tão longe para conhecer boas experiências no assunto. Os nossos vizinhos de continente também têm muito a mostrar. Um bom exemplo na América do Sul é o Chile.  O governo do país sul-americano criou o Start-Up Chile para trazer um alto nível de empreendimentos inovadores. Atualmente, o acelerador de negócios chileno está entre os dez mais importantes a nível global e possuí uma grande e diversa comunidade de empreendedores vindos de todos os cantos do planeta, inclusive do Brasil. A iniciativa vem mantendo a nação como um dos pólos de negócios tecnológicos mais importantes do mundo, impactando positivamente na economia local. Os projetos selecionados para fazer parte da organização recebem cerca de US$ 30 mil para começarem a funcionar.

Basta ao empreendedor julgar se o bônus será maior que o ônus ao decidir investir fora do Brasil. As boas ideias podem ser aproveitadas em qualquer canto do mundo, desde que haja muita pesquisa e planejamento para não se sentir como um “estrangeiro” no mundo das startups.