Do passado ao futuro: qual é o destino dos carros autônomos?

Nos filmes futuristas, vemos robôs com inteligência artificial, carros voadores e naves espaciais. Toda essa tecnologia parece estar há anos luz da gente, mas não é bem assim. Os carros autônomos já são uma realidade e você pode encontrá-los rodando em algumas cidades do mundo.

A tecnologia já existe a um bom tempo, os pilotos automáticos de aviões estão presentes desdea década de 30, e nos navios desde 1920. Porém, em carros essa inovação é mais recente.

Passado

A ideia dos veículos terrestres circulando sem motorista começou em 1939, na Feira Mundial de Nova York. Onde foi apresentado um protótipo rudimentar do carro autônomo. Mas, a tecnologia como conhecemos hoje começou a ser estimulada em 2004, com o DARPA Gran Challenge.

Esse evento foi promovido pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (sigla em inglês DARPA). A intenção dele era estimular as empresas a investirem em tecnologia autônoma. O desafio era que desenvolvessem carros que fizessem um percurso de 150 milhas (241 km) sem interferência humana. Porém, no primeiro ano do desafio não houve vencedores.

Na segunda edição do DARPA Gran Challenge, em 2005, a universidade de Stanford ganhou a competição com um Volkswagen Touareg modificado. Mas foi em 2007 que a prova mudou. Agora não é mais um percurso simples, ele foi adaptado para o meio urbano.

O novo desafio, agora chamado de DARPA Urban Challange, fez os veículos circularem em um ambiente urbano simulado. Eles deveriam respeitar as leis de trânsito e cumprir alguns objetivos estabelecidos. O vencedor do desafio foi o carro da Universidade de Stanford – um Chevrolet Tahoe modificado.

Presente

Hoje existem diversas empresas, de diferentes setores, que estão investindo, acima de tudo, no mercado de veículos autônomos. Dentre elas, temos Google, Apple, Uber, BMW, Volkswagen, Tesla e muitas outras.

São diversos os dilemas a respeito do comportamento do veículo, mais precisamente em questões éticas. Uma das indagações mais abordadas é a respeito de acidentes: o carro autônomo deve priorizar a vida do passageiro ou do pedestre?

O uso da inteligência artificial nos automóveis é o que traz esses questionamentos. Para Bill Gates, o presidente da Microsoft, o uso da IA (inteligência artificial) é um erro. “Nós tornamos o ato de dirigir um carro uma tarefa paradigmática, mas é algo que demanda responsabilidade e capacidade de lidar com muitas situações inesperadas, como quando alguém para na sua frente ou uma bola rola para a rua”, afirma o empresário.

Por isso, as empresas de tecnologia equipam seus carros com volantes e pedais. A intenção é que em casos de emergências a pessoa que está dentro do automóvel possa assumir o controle do veículo.

O Brasil já investe em carros autônomos. O Projeto CaRINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma) é um veículo criado pela USP-São Carlos no Laboratório de Robótica Móvel, desenvolvido desde 2010.

Semelhante ao CaRINA, a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) criou a Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile). O veículo já realizou a viagem de 74 km entre as cidades de Vitória e Guarapari e causou polêmica ao atropelar a apresentadora Ana Maria Braga ao vivo.

No quesito legal, não existem muitos exemplos sobre a regularização dos veículos. Porém, em alguns estados dos EUA já há legislações a respeito deles. Em Nevada,  Flórida e Califórnia os automóveis podem ser utilizados nas vias públicas desde que haja um humano no veículo.

Futuro

Há diversas possibilidades para os veículos autônomos. O transporte por aplicativo é uma das maiores apostas do mercado. Além disso, os serviços de entrega também investem nessa tecnologia. A exemplo disto, a pizzaria Domino’s fez uma parceria com a Startup Nuro, para criar um veículo autônomo que entregue pizzas.

Com foco no transporte público, a cidade de Curitiba está criando ônibus inteligentes em parceria com a VIA Technologies, a fim de conceber um sistema autônomo acessível para população. Apesar de já está sendo testada, ainda não há previsão para começar a circular nas ruas da cidade.

Com as promessas de serviços de entrega, aplicativos de carona e transporte público circulando sem motoristas, é inevitável não imaginar uma cidade inteira com carros autônomos.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge – Reino Unido, revela que os veículos autônomos podem melhorar o fluxo do trânsito em até 35% nas cidades grandes. Os dados mostram que essa melhora só é possível caso ocorra uma cooperação entre os carros. Para funcionar eles devem estar conectados a uma rede e comunicando entre si.

O futuro dos autônomos se divide entre visões mais otimistas e outras mais pessimistas. Apesar disso, não é possível definir um futuro sólido sobre eles. Talvez um dia eles sejam tão comuns quanto pedir comida via aplicativo ou que sejam subutilizados, como o Segway. Mas uma coisa é certa, a tecnologia vai precisar evoluir para garantir o tão esperado o espaço no mercado.