As donas do negócio

Mesmo com toda a dificuldade que as mulheres enfrentam para ocupar espaços no mercado de trabalho, a realidade tem sofrido grandes mudanças. Mudanças positivas, felizmente. Segundo dados de um levantamento feito a partir de 20,5 milhões de CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), as mulheres comandam mais de um terço (38%) das companhias em funcionamento. Para os homens, contudo, esse número chega a 48,2%, enquanto as sociedades formadas pelos dois gêneros representam 13,8% dos negócios.

Para Thoran Rodrigues, presidente da consultoria responsável pelo estudo, esse resultado da participação feminina foi uma surpresa positiva, mas que poderia ser muito melhor. Entretanto, considerando a herança cultural e histórica de desigualdade, o especialista considera o desempenho atual como favorável.

O estudo, realizado pela BigData Corp, também mostrou que as empresas comandadas por mulheres são empreendimentos de menor porte. Além disso, empregam um número menor de trabalhadores. A situação fica ainda mais apertada quando a avaliação leva em conta grandes companhias, cujo faturamento é superior a R$ 100 milhões. Nesse universo, aquelas que são de propriedade feminina representam apenas 6,9%, enquanto a titularidade masculina representa 44,5%.

Por isso, é sempre importante ressaltar o poder de grandes mulheres que vêm transformando os setores em que atuam. Relembre a história de algumas das principais empresárias do país:

Heloisa Helena Assis

Em 1993, ela criou o salão Beleza Natural, que pretendia oferecer produtos e serviços exclusivos para cabelos crespos. Tempos depois, o salão virou um instituto e, hoje, Heloísa gera empregos para mais de 1.300 pessoas, além de ter seu próprio centro para o desenvolvimento de pesquisas.

Luiza Helena Trajano

A Magazine Luiza, comandada pela presidente Luiza Helena Trajano, é uma das maiores redes de varejo do país. Seu talento para o gerenciamento dos negócios chamou a atenção, inclusive, no mundo da política. A presidente Dilma Rousseff a convidou para assumir a Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

Sônia Hess de Souza

Em 2003, quando Sônia Hess assumiu os negócios na Dudalina, a marca só fazia roupas destinadas ao universo masculino. Sete anos depois, a líder resolveu criar uma linha feminina. O faturamento atual? quase 200 milhões de dólares, cerca de 30% do valor total.