Alavancada elétrica da indústria

As discussões em torno da sustentabilidade, principalmente quando o assunto são os carros elétricos, já têm acontecido há bastante tempo. Agora, é hora de começar a colocar as ideias e pautas em prática. Um dos passos importantes para essa transição de teoria para ação foi a promoção de um empurrão elétrico da indústria, que conta com importantes nomes do setor.

Quatro importantes indústrias automobilísticas mundiais anunciaram um acordo que prevê a implantação de uma rede própria de abastecimento de carros elétricos nas autoestradas e estradas da Europa. A tecnologia que vai ser usada é a de CCS (Sistema de Carregamento Combinado), que tem uma potência alta de até 350 quilowatts. O protocolo envolve Audi, BMW, Daimler (Mercedez-Benz), Ford, Porsche e todos os grupos dessas marcas, além de estar aberto para qualquer outro fabricante que queira fazer parte.

header-alavancada

Os primeiros 400 pontos de recarga já estarão disponíveis em 2017 e a meta é ampliar a rede até 2020. Na Europa hoje são, por exemplo, 180 mil postos convencionais de abastecimento nas ruas e estradas, então existe um longo caminho de implantação pela frente. A recarga elétrica vai acontecer de maneira extremamente rápida, em três minutos é possível devolver 100% da autonomia de um veículo comum, então se estima um tempo médio de 15 minutos para reestabelecer 80% da autonomia nominal, e os 20% levariam um tempo dez vezes maior.

No Brasil, a SAE organizou em São Paulo o 6º Simpósio de Veículos Elétricos Híbridos. Nas 16 palestras dois principais problemas foram abordados. O primeiro é a grande desvalorização dos carros elétricos no mercado de seminovos, porque ainda não se sabe verdadeiramente qual é a durabilidade da bateria de lítio, e o segundo é a questão da reciclagem, que é de responsabilidade do fabricante do carro.

Em um balanço geral, há bastante preocupação em relação ao futuro. A demanda por veículos híbridos crescerá muito e rapidamente até 2026, e os exclusivamente elétricos não terão participativa significativa antes de 2022. As previsões é que em 10 anos o processo de eletrificação alcance 26 milhões de unidades vendidas em um ano, o que significa 25% da produção mundial. A China será a primeira com 10 milhões de unidades, seguida pela Europa com 7,8 e depois pelos EUA com 3,4. Para o Brasil, não existem previsões, já que tudo depende do subsídio ou estímulo ao consumo.