A trajetória de Abraham Kasinski

Uma vida dedicada ao empreendedorismo. Abraham Kasinski, nascido no dia 11 de julho de 1917, em Buenos Aires, na Argentina, foi pioneiro na fabricação nacional de autopeças. Caçula de cinco filhos de imigrantes judeus russos, Kasinski veio para São Paulo ainda bebê. Foi na capital paulista, mais precisamente na Avenida Celso Garcia, que ele cresceu na loja de autopeças de seu pai – a 3 Leões. Lá ele adquiriu conhecimento no setor para, aos 34 anos de idade, abrir junto com seu irmão a Cofap, marca especializada em amortecedores. O objetivo, que, mais tarde, seria concluído com sucesso, era não depender mais dos produtos importados.

Foi assim que começou a trajetória da marca que por quatro décadas foi liderada pelo empresário. Depois de superar o receio das oficinas em trabalharem com peças nacionais, já que por muito tempos os carros que circulavam nas ruas do Brasil eram importados, a marca chegou a ter faturamento anual de US$ 1 bilhão nos anos 90, quando empregou 18 mil trabalhadores e exportou para 98 países de cinco continentes. Nessa década, a Cofap alcançou reconhecimento nacional com uma série de propagandas que ficariam marcadas na publicidade brasileira. Um cãozinho da raça Dachshund ficou famoso por promover a linha Turbogás, reconhecida pelo mercado até hoje pela sua qualidade.

Parte dessa trajetória acabaria no ano de 1997, quando Kasinski vendeu sua participação na Cofap por US$ 25 milhões. No entanto, isso não significava o fim da vida de negócios para o empresário.

O novo século chegou e, com ele, Abraham Kasinski pensava em criar uma montadora de automóveis populares. Em 2001, em uma entrevista à IstoÉ, Kasinski afirmou que pretendia fabricar carros de dez mil reais, em uma fábrica de 18 mil metros quadrados na cidade de Manaus, na Amazônia.

Nessa mesma entrevista, Abraham explicou porque gostava tanto de trabalhar: “Não consigo ficar parado. Sou doido varrido. Podia estar descansando em qualquer lugar do mundo, mas não quero. “Não foi fácil vender a Cofap. Fiquei seis meses parado, quase louco. Mas o circo tem que continuar. Eu sou o gerente do circo que fica com o paletó de paetê, cartola e apito na boca (…)”

Quando meu palhaço não faz o público dar risada, não fecho o circo. Troco o palhaço. Tem outro jeito? A vida é assim.”

Abraham faleceu no dia 9 de fevereiro de 2012. Além das dez mil orquídeas que ele cultivava no seu sítio em Mauá, fica também o legado para o mundo dos negócios de um homem que acreditava em seus sonhos e na força do seu trabalho.