A nova definição de riqueza do Vale do Silício

REDEFININDO

Quando a gente pensa em riqueza, logo vem à mente dinheiro. A capacidade tangível de se adquirir bens, de morar em um lugar bacana. De poder pagar uma boa escola para seus filhos e não se preocupar com contas no final do mês. Entretanto, para moradores do Vale do Silício, na California, isso não serve muito.

Se existe um polo de serviços, ideias e muito, mas muito dinheiro nos Estados Unidos, esse é o lugar. As coisas acontecem muito rapidamente. De uma hora para outra, uma startup genial decide tornar seu capital público. Nesse momento, todos ficam ricos. Mas de dinheiro.

ORIGEM DO PENSAMENTO

Um engenheiro de software de Palo Alto apresenta um ponto de vista interessante sobre o assunto. Marvin Chain vive em Palo Alto, centro econômico do Vale. Para ele, em um local onde tudo funciona e todos ganham bem, a riqueza é outra. Certamente, existe algo maior para o engenheiro: felicidade, mobilidade e a capacidade de trabalhar menos para viver bem. Nessa concepção, ele não se enxerga como alguém rico, mas alguém de classe-média.

O curioso aqui é que, por mais que faça sentido a visão de Marvin, ele ganha U$400.000,00 ao ano. Números dessa natureza são cada vez mais comuns ali. O Palo Alto Weekly, importante jornal da região, publicou uma impactante entrevista realizada entre 2017 e 2018. Na ocasião, surpreendentemente 81 pessoas que ganhavam até $400.00,00/ano afirmaram pertencer à classe média.

Helen Dietz, uma especialista em finanças da Aspiriant, esclarece. Ela diz que, em um cenário como o Vale do Silício, as famílias que geram $200.00,00 ao ano, por exemplo, não seriam capazes de realizar algumas coisas. Por exemplo, comprar um carro novo. Morar em uma casa maior, prover um estudo superior aos filhos. Nesse cenário, a riqueza não se torna um parâmetro muito usual. Só está ali quem consegue ter uma bela renda.

PRIVILÉGIO POSITIVO

Concluindo, o Vale do Silício se torna cada vez mais um polo. Uma realidade a parte. Um local em que as coisas acontecem, a economia gira. Por isso, as coisas ficam mais caras. O valor dos imóveis aumenta. Os serviços exigem mais do bolso, pois as pessoas apresentam poder econômico. Ou ficam longe dali.

Nesse contexto, a riqueza se torna outra: basicamente ela se desloca. O que as pessoas não têm? O que as diferenciam? A felicidade pede passagem. Assim como a rica e maravilhosa possibilidade de não trabalhar muitas horas ao dia para viver.